Serviço de Utilidade Pública - Lei Municipal nº 5096/2011 de 24 de Novembro de 2011
Criado por Adriano Araújo e Emmanuel Sousa
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(Texto originalmente postado no Portal A Palavra)

No ano de 1953 a Áustria era um país em escombros, dividido e ocupado pelas tropas dos aliados desde o fim da Segunda Guerra Mundial, pois pertencia ao Reich Alemão de Adolf Hitler. A incerteza, o desemprego e a fome compunha o cenário vienense quando o jovem Wilhelm Gustav Steinmüller, já casado a pouco mais de três anos e com três filhos pequenos, decidiu deixar sua terra natal e tentar a sorte no Brasil, que era considerado na época uma terra de oportunidades.

Somente com a cara e a coragem o jovem austríaco desembarcou no Recife. Imaginem o que é estar em terra estranha e sem saber se comunicar. Mas, felizmente, Willy (como ficou conhecido) arranjou emprego num frigorífico e logo que teve a documentação de permanência regularizada, mandou buscar a família para junto de si. Assim, em 01 de novembro de 1953, sua esposa Margareth Straznicky reuniu filhinhos Renate, Helga e Viktor, e embarcou no navio Toscanelli, numa penosa viagem de doze dias rumo ao Brasil.

Foi um recomeço difícil para o casal austríaco na capital pernambucana, até que Willy ouviu falar de Campina Grande, cidade em desenvolvimento que oferecia oportunidades para negócios, e então, com o pouco dinheiro que ainda lhe restava da venda de sua casa em Viena e a indenização do frigorífico onde trabalhava, resolveu ousar e mudou-se para Campina Grande com a família, chegando em 14 de maio de 1954, no intuito de começar um negócio de conservas e frios na cidade.

Num prédio de propriedade da senhora Maria Cunha, Willy se fez inquilino e adaptou o imóvel para iniciar sua fabricação de salsicha, linguiça, mortadela, salame e presunto, que produzia por meio quase artesanal, e assim nascia a Salsicharia Vienense.

Carismático e muito ativo, em pouco tempo Willy fez amizades, conseguiu empréstimo junto ao Banco do Nordeste para adquirir os primeiros maquinários e gerir o empreendimento. Todavia, embora o casal tivesse feito muitos amigos, o negócio não prosperava porque os produtos embutidos causavam estranheza, pois ainda não faziam parte dos hábitos alimentares dos campinenses.

Mas Willy era perspicaz, não aceitou o fato de ter apostado todas suas economias e esperanças num negócio estéril. Observou o povo, conversou aqui, proseou ali, e percebeu que os campinenses gostavam mesmo era de beber, e, já que Maomé não vinha à montanha, lhe veio à ideia de levar a montanha a Maomé. Foi ao Recife, comprou um barril de chopp, que gelava na época com uma serpentina, reorganizou o ambiente com mesas e cadeiras simples e no dia 12 de novembro de 1955 inaugurava a primeira choperia da cidade, o Chopp do Alemão, como ficou conhecido porque os campinenses não sabiam diferenciar um austríaco de um alemão, afinal eram todos galegos e falavam a mesma língua.

Sem dúvidas Willy foi genial, pois seu objetivo de transformar a salsicharia em lugar também de encontros alegres para consumo de chopp, tinha a estratagema de habituar os campinenses a comer seus embutidos, que entravam a pretexto de aperitivo. Com chapéu de feltro com uma peninha verde, típico de tirolês, o chopp servido com espuma e em canecas de vidro e numa arquitetura interna semelhante as tabernas, com arcos e tijolinhos à mostra (em branco e vermelho para representarem as cores da Áustria), Willy criou um ambiente da tradicional cultura dos povos germânicos em Campina Grande, uma novidade exótica e atraente que logo cativou os boêmios, poetas, bancários, advogados, jornalistas, radialistas, médicos e estudantes, nomes de destaque como Ramalho Filho, William Tejo, Félix Araújo, Ronaldo Cunha Lima, José Pedrosa, Déa Cruz e, noutros tempos, Chico Maria, Firmino e Virgílio Brasileiro, Arlindo Almeida, Stenio Lopes, Flamarion Leite, Gilson Souto Maior, Bráulio Tavares, Carlos Alberto Azevedo e mais uma infinidade de pessoas que se tornaram frequentadores assíduos desta choperia que entrou para a história da cidade.

Desse modo, há 64 anos a família Steinmüller se estabeleceu em definitivo na Rainha da Borborema, onde nasceram mais cinco filhos do casal: Ida, Otto, Roberto, Elisabeth e Franz, e até hoje o Chopp do Alemão permanece em funcionamento num prédio em estilo de arquitetura enxaimel no centro da cidade, à Rua Barão do Abiaí, 158, atualmente sob a gerência dos filhos do casal Otto e Roberto Steinmüller, que pretendem criar nos salões do Chopp um memorial fotográfico registrando todos os frequentadores do lugar desde sua fundação até os dias atuais e vindouros.


3 comentários

  1. Anônimo on 10 de março de 2018 16:04

    Fatou alguns frequentadores como Raimundo Asfora, Fiqueiredo Agra, Iuri Miranda....

     
  2. Lipe Fialho on 10 de março de 2018 22:27

    tenho uma curiosidade.
    como acabou o Alemão, como foi sua morte?

     
  3. Anônimo on 21 de março de 2018 22:51

    Até onde escutei falar, ele suicidou-se.

     


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