Serviço de Utilidade Pública - Lei Municipal nº 5096/2011 de 24 de Novembro de 2011
Criado por Adriano Araújo e Emmanuel Sousa
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Em 14 de março de 1966, entrou no ar oficialmente a primeira televisão da Paraíba, a TV Borborema, fruto do ideal de Assis Chateaubriand que escolheu Campina Grande para a sede de uma TV do grupo dos Diários Associados.

Tudo começou em 1961, quando um engenheiro francês contratado pelos Diários Associados visitou Campina Grande. Seu objetivo era encontrar um local para que fosse implantando um projeto de instalação dos transmissores. O equipamento foi doado pela TV Tupi, a emissora chefe dos Grupo Associados e o local escolhido o Edifício Rique, na Venâncio Neiva.

A TV entrou em operação em fase experimental, em 15 de setembro de 1963, quando apresentou um programa social, com apresentações de artistas pernambucanos e de Campina Grande. Também houve um telejornal, que obteve certo sucesso na época. Na transmissão inaugural realizada no Edifício Rique, personalidades locais estiveram presentes, a exemplo de José Noujain e esposa, João Lira Braga e esposa, Otávio Queiroz e esposa, Gilberto Ribeiro, Edval Carvalho, Zuilson Oliveira, Cláudio Cisneiros e esposa, Pedro Sabino e esposa, Hailton Sabino e esposa, Francisco Assis Vieira Melo e esposa, Alonso Arruda, João Nogueira de Arruda, Nilo Tavares, Severino Cabral, Ibrahim Habib, Michel Mozales, Kalina Lígia Duarte Nogueira, Gladys Emerenciano, Hilton Motta, Genésio de Souza e Ariosto Sales.

A primeira imagem da emissora foi a de Hilton Motta. Suas palavras históricas foram as seguintes: “Boa noite, telespectadores de nossa cidade rainha da Borborema, tem início, nesta festa de gala, que conta com a presença da mais ilustre ala da sociedade a pré-estréia em caráter experimental do canal 4, a nossa TV Borborema de Campina Grande, marca do pioneirismo de nossa gente. Não se trata, pois, de uma idéia, de um esboço, de uma vontade de realizar. Nossa TV, a TV de todos os campinenses e paraibanos já é uma realidade indiscutível e vai se incorporar ao patrimônio artístico e cultural da cidade como força maior do seu desenvolvimento e do seu progresso, integrando-se também, de forma distinta, às solenizações do centenário de Campina Grande, no próximo ano de 1964. É Campina Grande não pode parar. Nada detém. E ao lado de sua marcha para o futuro, progressistas e dinamicamente, estão os Diários e Rádios Associados com a parcela de seu esforço e a contribuição de sua capacidade organizadora”.

Em outubro de 1963, novas intervenções ao vivo. Foi transmitida a festa das debutantes no Campinense Clube, a parada cívico-escolar-militar em homenagem ao aniversário da cidade e acreditem: a partida Treze x Campinense no Estádio Presidente Vargas, 25 anos antes do jogo Treze x Botafogo, a primeira transmissão de um jogo ao vivo da Rede Paraíba e 36 anos antes da transmissão dos jogos do Campeonato Paraibano pela TV Correio, iniciada em 1999.

No começo da TV Borborema, toda a programação da televisão local se resumia a duas horas diárias. Segundo o Diário da Borborema: “a partir das 20h, os receptores recebiam as primeiras imagens locais, começando com a abertura e seguindo com a imagem padrão, apresentando o logotipo da TV. A partir daí a programação era dividida em tempos que variavam entre 10, 15 e 45 minutos. Às 20h15 a emissora começava a transmitir o "Cineminha", com desenhos animados e séries; às 20h30, era a vez do "Tele Esportes Borborema", apresentado por Amaury Capiba; às 20h45, o "Musical", com Arlindo e seu conjunto; às 21h30, Divertimentos em filmes, com apresentação de seriados. A programação era encerrada às 22h”.

Também é dessa época o programa “Zé Lagoa na TV”. Atrações do porte de Rosil Cavalcanti, Enildo Siqueira, Amaury Capiba, Marilda Ferreira, além do conjunto do famoso personagem capitão Zé Lagoa, se apresentavam no programa.

A festa de Momo de 1964 foi outro evento transmitido pela TV Borborema. Amaury Capiba comandou a equipe que trabalhou no evento.

Nos primeiros anos da TV Borborema, quando não existia o videotape, o jornalismo era apresentado de forma precária. Eram apresentados slides com fotos principalmente do Diário da Borborema, que ilustravam as notícias. É dessa época o jornalista Geraldo Batista, que apresentou o noticiário chamado “Factorama”: “Havia muito improviso, mas trabalhávamos com dedicação e isso compunha a qualidade dos telejornais”, relatou Batista ao Diário da Borborema em 2006.

Cenas do jornalismo da TV Borborema

Um dos nomes marcantes da TV Borborema foi o de Graziela Emerenciano, que entre 1966 e 1988, apresentou um programa de entretenimento, com atrações políticas, sociais, musicais e de variedades, bem antes dos programas de Amaury Júnior, Otávio Mesquita e afins. Graziela recebeu em seu programa, personalidades como Nelson Gonçalves, Jair Rodrigues, Jorge Amado e toda a nata da sociedade local.

Graziela

Outro programa de destaque da TV Borborema e que já foi alvo do nosso blog, foi o do palhaço Carrapeta, que se destinavam as crianças. Luiz Holanda, o Carrapeta, tornou-se uma celebridade local, tudo graças a sua visibilidade na TV. Nos anos 90, o palhaço Pipokinha também realizaria um programa nos moldes do de Carrapeta.

Nos anos posteriores, o canal da emissora mudaria do 4 para o 9. Os logotipos também mudariam, como pode ser visto nas imagens a seguir:


Anos 90
Atual

A TV Borborema desde sua estréia extra-oficial em 1963 até 1980, retransmitiu para a cidade o sinal da TV Tupi. Em função do encerramento das atividades da primeira emissora do país, a TV Borborema retransmitiu as imagens da TV Record e em setembro de 1980, fez parceria com a Rede Globo. O evento de afiliação com a poderosa global, foi marcado com um coquetel na cidade, contando com as presenças do prefeito de Campina Grande, Enivaldo Ribeiro, o diretor regional da Rede Globo Leopoldo Collor de Melo (ele mesmo, o irmão do ex-presidente Fernando Collor) e outras personalidades. O então superintendente da TV Borborema, Jonatas Mahon, discursou na solenidade demonstrando a importância da associação entre as duas emissoras.

No começo de 1987, a TV Borborema assinou um contrato com a emergente Rede Manchete, marcando uma nova fase em sua história. A final do Campeonato Brasileiro de 1986, que terminou apenas no ano seguinte, foi mostrada com exclusividade para Campina Grande pela emissora, além de mostrar também, os famosos Carnavais do Rio de Janeiro. Não se pode esquecer, é claro, a programação local, já que não tinha mais que seguir o padrão globo, ou seja, teria um horário mais alternativo para a realização de seus programas locais. A partir de 1989, assinou contrato com o Sistema Brasileiro de Televisão do grupo Silvio Santos e mantém até os dias atuais, essa parceria de sucesso.

Os programas da TV Borborema mereciam um espaço a parte. No seu começo, a emissora de Campina Grande tinha o privilégio de ser a geradora das imagens das famosas novelas da Tupi para a região nordeste. Os programas locais também ficariam marcados na história da televisão paraibana. A Hora do Povo na TV começou em 1991. Em 1996, uma versão para a TV do programa “A Patrulha da Cidade”, sucesso na Rádio Borborema. No ano de 2000, seria criado o “Momento Junino”, talvez o programa de maior sucesso e expressão da história da TV Borborema. Apresentado por Abílio José, nomes do quilate de Marinês, Santanna, Flávio José, Mastruz com Leite, Alcymar Monteiro, Dominguinhos entre outros, foram destaques no programa, que é exibido durante a época do “Maior São João do Mundo”.

Não se pode esquecer também, das transmissões ao vivo do Maior São João do Mundo e principalmente da Micarande, pois na transmissão dessa última, a TV Borborema passava as madrugadas mostrando os pontos altos do evento que ficou marcado na memória de Campina Grande.

Pois é, são 45 anos de história da TV Borborema com nossa cidade, todavia um fato a se lamentar, a não preservação da memória da emissora, pois em virtude dos altos custos dos videotapes, os mesmos eram reutilizados e programas históricos não tiveram nenhum registro preservado. Se a emissora tivesse tido a preocupação de manter algumas imagens, momentos históricos de Campina Grande teriam seu registro. Outro motivo de preocupação é uma nova idéia que está surgindo nos Diários Associados, através do objetivo de unificar o registro do nome do grupo. Por esse motivo, a Rádio Borborema e a TV O Norte já desapareceram. Se o mesmo fato ocorrer com o nome da TV Borborema será um desrespeito à cidade, um verdadeiro “tiro no pé”. Esperamos que tal fato não ocorra.

Imagens históricas:




Assista:

Antiga Vinheta da TV Borborema:


Fontes Utilizadas:

-Arquivos do Diário da Borborema
-Arquivos do Diário de Pernambuco
-Arquivos Pessoais
-TV Borborema

8 comentários

  1. walmir chaves on 14 de março de 2018 13:00

    O primeiro gerente foi o locutor da Radio Borborema, Ariosto Sales que tambem apresentava o Telejornal das 20 horas. Eu fui o protagonista da primeira peça do Teleteatro: "A Fuga", dirigida por Joel Carlos. Protagonizei tambem, junto com Marilda Ferreira uma serie titulada : Alô, Alô, Meu Bem! Conservo uma agradável lembrança desse período da minha vida artística...

     
  2. Anônimo on 14 de março de 2018 20:40

    A TV Borborema era bem primitiva no começo dos anos 70. Como telespectador atento, compartilho algumas lembranças:
    - a propaganda era com slides (desenhados), operados manualmente.
    - as vezes só havia uma dessas máquinas, e na troca do slide, aparecia uma tela em branco durante uns poucos segundos
    - a trilha sonora dessas propagandas parecia ser de disco. Talvez acetato.
    - não havia propaganda local filmada ou com animação. A primeira propaganda animada foi da loja P Martins (?). Também dela foi a primeira inserção em um jogo de futebol, onde o letreiro ocupava a parte inferior da tela de forma grosseira.
    - Os jogos locais eram transmitidos em videotape. Quando acontecia um gol, vinha um slide "Vamos Repetir o Gol" e após cerca de um minuto, a cena do gol era repetida
    - nos programas ao vivo, era comum as câmeras preto e branco estarem desbalanceadas, seja no brilho ou até mesmo no foco. Quando chegou a primeira câmera colorida, as vezes alternava a imagem colorida com a preto e branco.
    - Assisti muito Antônio Barros e Cecéu, e Jackson do Pandeiro. Gostava também de Graziela e de um programa de parapsicologia cujo nome do apresentador, um médico, me escapa agora.
    - A apresentação de Gretchen em 1978 causou um certo rebuliço, mas evitou-se mostrar as posições mais ousadas, filmando-a apenas da barriga para cima ou mesmo apenas de costas.

    Talvez os mais antigos lembrem desses e outros fatos pitorescos.....

     
  3. Valfrêdo Farias on 14 de março de 2018 21:57

    Este comentário foi removido pelo autor.

     
  4. Valfrêdo Farias on 14 de março de 2018 22:01

    Que memória amigo!!! Tenho cinquenta anos e uma parte da minha infância foi assistindo a TV Tupy no canal nove. Depois pusemos um kit de antenas para assistir aos canais de Recife e deixei de ver o canal local. Realmente tudo era muito rústico na TV Borborema. Quando as imagens locais entravam no ar, era flagrante a deficiência geral. Mas sempre foi assim através dos anos. Hoje melhorou um pouco mas ainda percebe-se uma certa rusticidade nos programas locais. Talvez o mais evidente seja o Momento Junino que acontece todos os anos, que é de uma precariedade comprovada. A imagem continua ruim como sempre foi. Hoje em dia gritam aos quatro ventos que transmitem em HD quando na verdade a transmissão é em SD. Mas não deixa de ter sua importância e marca na história, realmente demonstrando a força de Campina Grande.

     
  5. Mário Vinícius on 16 de março de 2018 23:15

    Dos velhos tempos da TV Borborema, há uma propaganda feita com slides que consegui memorizar o texto:
    "Sara, com inveja de Agar que dera um filho a Abraão, mandou furar-lhe a orelha. Abraão muito galante mandou colocar um aro no óbulo da orelha da escrava, criando assim a primeira bijouteria.
    Depois desse dia, todo mundo quis se enfeitar assim. Então surgiram brincos, pulseiras, colares e anéis, tudo isso para ornamentar a beleza da mulher.
    O Mundo das Bijouterias dispõe de uma grande quantidade de produtos para atender a sua clientela. Estamos na Estação Rodoviária, boxes 7, 8 e 9, em Campína Grande". O locutor era o saudoso Paulo Rogério.

     
  6. Valfrêdo Farias on 17 de março de 2018 13:28

    Lembro desse comercial. Realmente era feito com recortes postos em slides.

     
  7. pastor luciano casa de oração on 20 de março de 2018 00:08

    Alguém já ouviu falar da TV o Norte canal 11 que era daqui da cidade de campina grande

     
  8. Rômulo Azevêdo on 20 de março de 2018 21:41

    O comercial mais inteligente exibido pela tv - naqueles tempos pioneiros -era uma propaganda da "Casa sem Nome", uma loja que ficava na Maciel Pinheiro. Naqueles tempos os comerciais eram extremamente barulhentos(com ruídos de sirenes, explosões etc, enquanto um locutor gritava: "Liquidação estourada na loja tal...")e a loja apostou no silêncio.
    Na tela aparecia um slide: "Agora 30 segundos de silêncio em homenagem a sua sensibilidade". Em seguida aparecia outro slide: "Para vender barato, a Casa sem Nome não precisa fazer barulho".
    Genial!

     


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