Serviço de Utilidade Pública - Lei Municipal nº 5096/2011 de 24 de Novembro de 2011
Criado por Adriano Araújo e Emmanuel Sousa
retalhoscg@hotmail.com

QUAL ASSUNTO VOCÊ ESTÁ PROCURANDO?


Por Roberto Pereira

Quando o  ex-banqueiro  campinense, meu  saudoso amigo  Eudes Rodrigues Chaves  ainda vivia, nós estávamos combinando uma viagem de uns três dias  a Campina Grande.

Seria uma visita   sentimental de volta às nossas origens;  um “revival” em nossas vidas, um reencontro com alguns dos nossos antigos  amigos, aquêles que outrora  compunham o nosso universo, e com os quais passamos os grandes e alegres momentos da nossa juventude na querida cidade  onde nascemos.
Calçadão de Campina Grande (2009)

Programávamos  ir ao Calçadão, passear na rua João Pessoa, tudo isso feito a pé, sem qualquer obrigação com horário, frequentar  os restaurantes mais antigos, ir a feira, visitar estabelecimentos comerciais de  velhos amigos remanescentes,  enfim, passar esses dois ou três dias entregues a uma jornada  de  re-visita, para matar as saudades.

Infelizmente não deu. O velho “Moral” assim como era chamado, parece que estava adivinhando:  antes mesmo de cumprir a nossa  programação, adormeceu para sempre.

Na Campina do nosso tempo, morávamos um pouco  distantes  um do outro: eu, ali na Praça João Pessoa, ele na Major Belmiro, mas sempre estávamos juntos;  e juntos compartilhamos as alegrias da juventude e curtimos a nossa querida cidade em tudo o  que ela nos concedeu  de  felicidades.

Nós sempre acreditamos, e sempre conversávamos sobre isso, que foi a nossa geração a  que mais viveu os períodos importantes e as grandes mutações pelas quais passou Campina Grande. E foi mesmo.

Eu vivi, na infância, o fim da chamada “era do trem.” Ví pessoas chegando de viagem, outras embarcando, ali na Estação Velha, que se enchia de gente, automóveis, carroças, animais, na maior animação, na chegada ou partida do trem. O seu apito saudoso ficou na minha memória  para sempre.


Ví e viví a Rádio Borborema, a primeira  grande revolução nas comunicações regionais, com maravilhosos programas de auditório, quando a cidade recebia a visita dos maiores e mais importantes artistas nacionais e internacionais. A cidade era uma festa. A Radio Borborema de Hilton Mota, Gil Gonçalves, Leonel Medeiros, e de Fernando Silveira, um gênio que se hoje vivesse talvez fosse o maior multimídia do nosso País, com a sua incrível inteligência e criatividade.

Ví e viví  na infancia as maravilhosas séries semanais do Capitólio: Homem Morcego, Fumanchú, O Zorro, Capitão Marvel, Príncipe Submarino e tantos e tantos mais, quando nós, fantasiados  e em bandos,  subíamos no palco do cinema  antes da exibição, para brincarmos de artista e bandido, até que as luzes  se apagassem para a projeção.

Viví  toda a alegria de brincar com uma tosca roda de virola, resto de antigos pneus automotivos desmanchados pelos sapateiros, percorrendo as calçadas das praças, com a alegria de uma criança que hoje estivesse pilotando uma moto.

Ví e vivi  a chamada “explosão do algodão” subindo e pulando  nas imensas pilhas de fardos de algodão que se espalhavam pelas  ruas da cidade; e o desfile daqueles grandes carros americanos dos barões do algodão, que enchiam Campina de dinheiro e de orgulho.

Ví e ouvi  os maravilhosos discursos do grande líder Argemiro de Figueiredo, sem dúvidas, o maior político do nosso Estado, com sua postura  majestosa e seu estilo fascinante de falar.

Ví o presidente Getulio Vargas, cabelos branquinhos, um sorriso permanente, em carro aberto, subindo ali pela Miguel Couto acenando para o povo que se postava nas calçadas.

Viví a alegria das grandes passeatas nas festas políticas contagiantes e monumentais.

Ví  florescer  e tombar o grande Felix Araujo, herói do nosso tempo, símbolo da coragem da juventude.

Ví a cidade em festa recebendo o seu primeiro bispo diocesano, Don Pietrula, desfilando em carro aberto e o povo acenando lenços brancos de boas vindas.

Ví o fenômeno popular chamado Severino Cabral incendiar Campina e ascender ao governo do Estado numa homenagem do povo a simplicidade do seu líder. 

Ví, menino ainda, o povo pobre nas ruas numa manhã de agosto, chorando a morte do presidente Getulio Vargas.

Ví o então presidente Juscelino Kubitschek  emocionado, entregar a cidade o gigantesco beneficio da adutora de Boqueirão, que, de uma vez por todas, acabou o problema  do abastecimento d’agua da cidade.

Juscelino em Campina Grande (1958)

Viví   a ascenção política de Vital do Rego, Ronaldo Cunha Lima, Raimundo Asfora, Edvaldo do Ó, Newton Rique, tantos jovens  valores bruscamente interrompidos nas suas trajetórias cívicas  por atos do poder dos militares, sem qualquer razão.

Chorei a perda de uma linda adolescente, Osmarina, num desastre de avião junto com seus pais, no Estado de Sergipe. Toda a cidade cobriu-se de luto e os colégios formaram no sepultamento.

Viví e  reverenciei  com o maior respeito os nossos grandes mestres: professor  Loureiro, Padre Emidio, professor Oliveira, professor Almeida e tantos mais, responsáveis pela formação de  toda a elite intelectual da nossa geração. A gente os recebia de pé, na sala de aula.

Viví  grandes partidas de futebol no campo do Bordéu, (ali onde hoje está o Anita Cabral)  junto a velhas figuras do folclore campinense: Fuba, Miguelzão, Eliezer, Seu Naninha, Seu Antonio, Nêgo Lula, Chico Boateiro, Ladinha, Nêgo Mira, Bôda, um monte de gente.

Feliz, saía  aos domingos em demanda do campo do 13 para assistir as grandes partidas contra times de todo o Brasil, que vinham visitar a nossa cidade. Era uma festa.


Ví nascer o departamento de futebol do Campinense na quadra de sua sede  social,  em frente a minha casa.

Babei  de inveja dos mais velhos que  falavam dos grandes cabarés que freqüentavam nos fins de semana: Baiana, com shows musicais eróticos  de artistas que vinham do Sul. Carminha Vilar, China, Santa, Unidade Moreninha, cujas lindas hóspedes freqüentavam as matinés dos cinemas exibindo roupas caríssimas e maquiagens caprichadíssimas. Maria Garrafada, Zefa Tributino, as  lendárias  damas da boemía campinense.

Ví, na varanda da fazenda do meu pai, no Carirí, vindo de Campina Grande,  um dia chegar Rosil Cavalcante com vários companheiros e uma  tropa de cachorros perdigueiros em busca de caçar perdizes e lambús nos campos da caatinga.

Vi a rapaziada independente  que se reunia nas tardes do Grande Hotel para o happy hour daquele tempo: Otaviano Bezerra, Paulinho Ribeiro, Amaury Gurú, Zé Costa, Rodrigão Araújo, Antonio Figueiredo, Ingo Neukranz, Ermirio Leite, legítimos representantes  de uma época em que a cidade fervilhava  com o seu progresso e  se projetava inexoravelmente para o seu grande futuro.

Grande Hotel

Ví e vivi  a chegada da televisão que nos encheu de orgulho. Campina como sempre pioneira em tudo. Gerava os próprios programas, incluindo teleteatro, com atores nossos, aqui da terra. Isso era demais.

Viví  os grandes carnavais de rua, com o corso que se expandia  por todo o centro da cidade e a folia que se concentrava na Maciel Pinheiro, ali na Sorveteria Pinguim, com desfile de blocos e troças, fantasias mil, o cheiro de lança-perfume no ar, a poeira da maizena que cobria todos os espaços da rua, confete, serpentina, mulheres lindas, a alegria, o delírio.

À noite, os grandes bailes no Campinense, no Clube 31, no Ipiranga, Paulistano. Do mais aristocrático ao mais modesto a alegria era uma só. A cidade estremecia ao som das grandes bandas de frevo e samba e dançava até o raiar do dia.

Ví e conheci  os valentes do nosso tempo: João de Carminha, Assis, Severino Martins, Alonso Arruda, Salvino Figueiredo, Carlinhos e José Gaudencio, homens jovens, corajosos que não abriam parada para ninguém.

Ví  o mundo intelectual reunido na Livraria Pedrosa e o velho Pedrosa, junto com os amigos, Dante Alicate e Pilon bebericando e contando causos inesquecíveis.

Ví  a Fundact,  embrião da nossa Universidade ser fundada por um grupo de heróicos campinenses  dedicados  a causa da cultura em nossa cidade: Edvaldo do Ó, Stenio Lopes, Francisco Pereira, Lopes de Andrade, Lynaldo Cavalcante, verdadeira constelação de homens de valor, devotados ao bem.

Ví  a cidade se projetar para muito além dos seus limites no mundo financeiro,  com os bancos Industrial e Banco do Comercio, todos com capitais genuinamente campinenses, instalando agencias nas principais cidades e capitais  brasileiras.

Ví a Federação das Industrias  ser fundada em Campina Grande, por ser a nossa a única cidade da Paraiba a reunir a quantidade de sindicatos exigida para a formação da federação.

Ví e convivi com os tipos populares e inesquecíveis da cidade: o filósofo Alonso Sapateiro, o desenhista, artista e coreógrafo Cibíu, o comunista Alfredo Machinho, grande divulgador das idéias socialistas;  o homem da noite Moacir Tiê;  Zito Napi, dançarino exímio, disputado a tapas pelas damas da noite; Omega, eterno boêmio a desfilar nos carnavais com sua capa, bengala e copo de cerveja na mão; Abilio Doido, Bacurau, Antonio Cego, Manuel Pé de Rotor, Horacio Bacanaço,  uma fauna maravilhosa   que conferia  a cidade esse aspecto de alegria e criatividade insuperável.

Viví a adolescência entre as matinês do Capitolio e Babilonia, a Rua Maciel Pinheiro e a Sorveteria Pinguim, onde as tribos se encontravam; e nos fins de semana os maravilhosos “assustados”, encontros em casa de amigos, onde imperavam a alegria e a esperança fácil.

Rua Maciel Pinheiro

Viví os desfiles de 7 de setembro quando, em uniformes de gala, marchávamos contritos defendendo os nossos colégios, fosse ele o Pio XI,  Alfredo Dantas  ou  Colégio das Damas com o entusiasmo e o garbo de soldados em defesa da pátria.

Viví as noites inesqueciveis de dezembro  assistindo às missas de Padre Mariano na Matriz e em seguida descendo a Floriano Peixoto para o passeio deslumbrante nas   noites de  festas do Natal, ali na Maciel Pinheiro.

Ví surgirem os primeiros edifícios espigões, que davam a cidade um ar de “cidade grande”.

Viví momentos de angustia  e tristeza com a queda  de um avião nas proximidades de Bodocongó, onde morreram queridos conterrâneos.

Viví a alegria do Bar do Grande Hotel, do Pinguim, e do Chopp do Alemão, em fins-de-semana memoráveis com as inesqueciveis “tertúlias” do Campinense Clube e as prévias carnavalescas do Club Aquático.

Viví as delícias, tomei bons whiskys  e evoquei o passado na lendária “Fruteira”, barzinho maravilhoso que um dia as irmãs Pedrosa, rebatizando-o de “O Beco”  resolveram reviver, ali no Beco do 31.

Viví com intensidade as emoções dos sábados da boite Skina: música estimulante, corações a toda carga.

Viví as festas do São João no Clube dos Caçadores curtindo  a beleza daquelas noites frias de junho onde a juventude se aquecia nas fogueirinhas e nos abraços de amor.

Viví o privilégio de ouvir o velho Nilo Tavares, depois de alguns whiskys no Bar do Pilon, contar suas histórias de vida e seduzir com a sua prosa fácil e espirituosa a quem dele  tinha o privilégio de se aproximar.
Precisa mais?

Assim eu ainda vivo e continúo vendo  a minha querida  cidade. Será que alguém a viu ou viveu em tantos diferentes momentos e  com tanta intensidade, com tanta intimidade?

Viví e ainda vivo finalmente, a amargura das perdas de tantos amigos  que, tal qual atores de uma magestosa peça teatral, vão-se retirando do palco aos poucos, um por um, até que, no último ato,  certamente por falta de atores, a cortina  haverá de se fechar e as luzes se apagarem.

O Estádio Municipal Plínio Lemos foi construído pela Administração pública em 1957, em terreno alagado nas proximidades do Riacho das Piabas, no bairro de Bairro de José Pinheiro.

Segundo o histórico disposto no site do Campinense Club, foi necessário uma grande quantidade de aterro para que o terreno suportasse a construção.

Construído incrivelmente em quatro meses e quinze dias, o Estádio foi inaugurado pelo prefeito Plínio Lemos, que lhe deu seu próprio nome, no dia 26 de Julho de 1957, contendo o campo de futebol e um lance de arquibancada.

Ao longo dos anos o local ficou conhecido como "Toca da Raposa", uma vez que o Bem Público foi entregue à iniciativa privada para sua manutenção e conservação, sendo portanto o Campinense Club responsável, inclusive, pela conclusão do Estádio, que incluía em acordo de comodato com a Prefeitura, a construção da arquibancada geral, implantação de pista de atletismo, piscina olímpica e iluminação.

A 'geral' para 3.000 pessoas foi construída em 1965, a iluminação em 1967, em 1970 vieram as a quadra poliesportiva e a piscina. Em 1973 a Justiça Trabalhista penhorou os postes e os refletores de luz para cobrir dívidas da "Raposa Feroz".

Recentemente, no ano de 2008, a Prefeitura Municipal reincorporou o Estádio ao seu Ativo, reformou, modernizou e requalificou, transformando-o na Vila Olímpica Plínio Lemos. Hoje (2015), infelizmente, este espaço encontra-se em deplorável estado de conservação e manutenção, em um total desrespeito com sua História e com o dinheiro público investido em sua reforma.

Até o final de outubro, o acervo do Diário da Borborema, adquirido em regime de comodato pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) junto aos Diários Associados, estará a disposição do público para pesquisa. O acervo com mais de 800 cadernos que retratam mais de meio século da história de Campina Grande, com alguns fragmentos da Paraíba e do Brasil, se encontra na Biblioteca Átila Almeida, que funciona no Câmpus de Bodocongó da Instituição.

Antes de liberar o acervo para consulta pública, a UEPB, através da Pró-Reitoria de Cultura, Coordenadoria de Comunicação e da Biblioteca Central, está realizando toda a catalogação do material. A bibliotecária Estela Santos, responsável pelo trabalho, ressalta que o processo de catalogação está bastante adiantado e deve ser concluído ainda este mês. Os cadernos “azuis” com exemplares do DB estão sendo organizados por data, mês e ano, e receberão um código, para facilitar a pesquisa.

A primeira parte dos trabalhos foi a higienização da coleção. “A parte de higienização já foi finalizada e agora estamos na fase de catalogação”, explicou a bibliotecária. Só após o término da catalogação é que o material estará disponível para consulta. Além do acervo do DB, a Átila Almeida também guardará parte do acervo fotográfico do Diário da Borborema e os discos de vinil da antiga Rádio Borborema, hoje Rádio Clube.

Desde abril deste ano a UEPB assumiu a condição de guardiã do acervo jornalístico do Diário da Borborema, periódico campinense que deixou de circular no dia 1º de fevereiro de 2012, após 54 anos de existência. Considerado um tesouro que guarda a memória de Campina Grande durante mais de meio século, o acervo do DB conta com mais de 800 livros e contabiliza mais de 17 mil edições do periódico, desde a primeira edição histórica do dia 2 de outubro de 1957 até a última edição do dia 1º de fevereiro de 2012. O acervo fotográfico contém entre 5 mil e 6 mil fotos registrando a história de Campina Grande e da Paraíba.
José Bezerra Cacho
(Arquivo Familiar)
Quando o blog “RHCG” foi criado em 2009, um dos objetivos dos autores deste era o de resgatar personagens que de certa forma contribuíram para a história de Campina Grande, até mesmo os personagens anônimos, aqueles que fizeram parte dos “Bastidores da História”.

É o caso, por exemplo, de José Bezerra Cacho (1917-2006), que nasceu em São Bento do Norte-RN. “Seu Cacho” foi fotógrafo durante vários anos em nossa cidade, tendo na “Foto Studio Cacho” na Maciel Pinheiro, seu ponto comercial.

Graças a José Cacho, muitas imagens de Campina Grande em sua fase áurea ficaram registradas, muitas que inclusive podem ser encontradas aqui no blog. De sua autoria também, imagens em vídeo de grande valor histórico, como a visita de João Goulart a Campina Grande, da saída de Newton Rique da prefeitura em 1964, da inauguração do Teatro Severino Cabral e vários outros registros, como os dos carnavais antigos, por exemplo.

Sendo assim, “Seu Cacho” presenciou grandes momentos de Campina Grande e por causa disso talvez, seu neto o Engenheiro Darks Kehrle Júnior resolveu ao final dos anos 90, gravar uma série de entrevistas com o avô. 
Darks Kehrle Júnior

Nos registros em áudio, ele fala de sua chegada a Paraíba, o aprendizado na área da fotografia, sua aproximação com soldados americanos na Segunda Guerra Mundial, “causos” da política de Campina Grande, a chegada do primeiro aparelho de televisão a nossa cidade, o registro das visitas dos Presidentes da República a Rainha da Borborema e principalmente, como era o cotidiano de nossa cidade no passado, ou seja, um precioso registro.

A postagem dessa raridade audiográfica foi fruto do intermédio do foto-jornalista Cláudio Góes (http://claudiogoes.zip.net/) junto à família Cacho, na pessoa do próprio Darks Kehrle Júnior. Fica registrado nosso agradecimento à Cláudio Góes pela participação ativa na obtenção de mais um “retalho” da História de Campina Grande, sob a ótica de um dos seus principais personagens.

O áudio está dividido em 7 (sete) partes, com cerca de 30 minutos cada e que podem ser acessados a seguir:

Parte 1:



Parte 2:



Parte 3:



Parte 4:



Parte 5:



Parte 6:



Parte 7:



Se nossos visitantes quiserem saber ainda mais sobre o lendário fotografo campinense, cliquem AQUI, para acessar um excelente texto de Xico Nóbrega publicado no jornal “A União”.

Conclamamos aos nossos vereadores, que seja feita uma homenagem a José Cacho, dando seu nome a uma rua de nossa cidade, pois graças a este “personagem anônimo”, boa parte da melhor fase de nossa cidade está documentada.



A imagem acima trata-se de um antigo projeto idealizado para se implantar no local onde funciona o Terminal Cristiano Lauritzen de Passageiros (Rodoviária Velha) um edifício garagem, em vias de atender à escassez de locais para estacionamento no Centro da cidade. O projeto, apresentado no ano de 1999, é do arquiteto carioca Cydno Silveira, o mesmo que formatou o edifício sede da FIEP, às margens do Açude Velho.

Agradecemos a colaboração do estudante do curso de Arquitetura e Urbanismo do CESED-FACISA, Marcus Nogueira, pelo envio das imagens.



Abaixo, cliquem no aplicativo para folhear a descrição da abrangência do projeto denominado Infoshopping, através das suas plantas baixas:




Um daquelas fotos que, literalmente, nos transporta ao passado...

Esta jardineira, como assim eram chamados estes veículos, circulou nas rua de Campina Grande nas primeiras décadas do Século passado. Seu proprietário era o Sr. José Barros Sobrinho, sendo uns dos primeiros ônibus a circular em nossa cidade.

Segundo Douglas Medeiros, em sua página pessoal no Facebook, o trajeto atendido por este coletivo ia da Catedral de Nossa Senhora da Conceição, na Av. Floriano Peixoto, até o Cemitério Velho, nas Boninas, onde hoje é a Rua Félix Araújo.

Na foto acima, o cenário de fundo é o Cine-Theatro Capitólio, ainda em suas características arquitetônicas originais, estando esta fachada voltada para a Praça Clementino Procópio, onde hoje existe um pequeno estacionamento. 


Maestro Capiba

Fruto de saudosismo por uns e por outros, não; a Micarande foi uma festa copiada ao estilo do carnaval da Bahia, com nome derivado da Micareta, festa similar realizada em Feira de Santana, cronologicamente fora do tríduo momesco.

Um dos pontos fortes da Micarante sempre foi o resgate aos antigos carnavais promovido pelo Bloco da Saudade, que teve como um dos criadores e entusiastas o radialista Hilton Motta. 

Em 07 de Abril de 1991, quando a Micarande estava em sua 3ª Edição, Hilton Motta entrevistou o Maestro Capiba, que fora a atração principal do Bloco da Saudade, que tinha como característica a aglomeração e o desfile pelas ruas centrais da cidade, com concentração no Beco do 31. Capiba, radicado em Recife-PE, teve sua infância vivida aqui, em Campina Grande.

Ouçamos, portanto, o áudio abaixo, enviado por Lenildo Ferreira, Diretor de Jornalismo da Rádio Campina Grande FM.



HIlton Motta


Álbum de Família de Fabrício da Matta, que retrata a presença do Bandeirantismo em Campina Grande, no ano de 1950. 

O "Bandeirantismo" é uma associação de jovens que visa o exercicio da cidadania, através de uma interação com a comunidade em que vivem, sempre com a supervisão de voluntários preparados pela organização. 

Era muito comum em nossa cidade entre as décadas de 50 e 60 do século passado. 
O dia 11 de setembro de 2001 ficou marcado na mente de todos com as trágicas e comoventes imagens distribuídas para todo o globo terrestre pelas emissoras de televisão, inclusive em tempo real, dos ataques aéreos que destruíram as "Torres Gêmeas" do "World Trade Center", em Nova York.

Segundo fontes oficiais do Governo Norte-Americano, os ataques foram provocados por terroristas que faziam parte do grupo de fundamentalistas islâmicos denominados Al-Qaeda, liderados por Osama Bin Laden.

Aqui no Brasil, como em todo o mundo, a imprensa nadava em notícias para cobrir os acontecimentos e aos jornais impressos sobejavam excelentes fotos para estampar qualquer primeira página!

Em Campina Grande não fora diferente e a imprensa local trabalhou arduamente para noticiar o fato. Como mérito, o Diário da Borborema, fundado em 02 de Outubro de 1957, pelo jornalista paraibano Assis Chateaubriand, foi vencedor do Prêmio Esso de Jornalismo (concorrendo com grandes jornais da imprensa nacional) na categoria "Prêmio Esso Especial de Primeira Página".

Capa Vencedora do Prêmio Esso de Jornalismo (2001)

Muito se comenta na mídia atual os novos nomes do cenário das lutas no rico mundo do MMA, inclusive com ascenso de personalidades campinenses em disputas nesta modalidade, que até agora não se firmaram como referência esportiva...

O certo é que o maior nome de Campina Grande nos tatames/ringues foi e sempre será Ivan Gomes, o Imbatível.

Acima, recorte do Jornal O Globo, do dia 07 de Agosto de 1976, anunciando-o como atração principal em circuito de lutas no ginásio do Maracanãzinho, no Rio de Janeiro.

Recorte publicado pela Profª Cléa Cordeiro, via Facebook




Homenagem do Blog Retalhos Históricos de Campina Grande à um dos expoentes máximos do futebol da Rainha da Borborema.

Parabéns ao Treze Futebol Clube, de Glórias, e Tradições!

1925-2015: 90 Anos de Fundação

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O ano de 1975 marcou o esporte na Serra da Borborema com um título paraibano que o Treze dividiu com o Botafogo de João Pessoa (Pela FPF E CBF). Porém, as grandes manchetes dos jornais da época, eram as inaugurações dos Estádios José Américo de Almeida em João Pessoa e o Ernani Sátyro em Campina Grande, que faziam parte do idealismo do Regime Militar, ou seja, construir obras grandiosas, para que uma idéia de modernidade fosse implantada na mente dos brasileiros.


Desta forma, Campina Grande foi agraciada com um grande Estádio de futebol, com capacidade para cerca de 40 mil pessoas, o que para uma cidade apaixonada pelo esporte, seria muito bem utilizado, afinal como sabemos, a capital de nosso futebol sempre foi Campina.

O jogo da inauguração do Estádio era para ser entre o Treze e o time do Governador do Estado, o Botafogo do Rio, todavia, como contou a Roberto Hugo da Rádio Caturité em 2006, Zé Agra o então presidente do Galo, fez uma série de exigências fazendo com que o Governador escolhesse o principal rival da equipe de São José, para o jogo da inauguração.

Passados alguns dias, seria a vez da Inauguração dos Refletores. Dessa vez, o Governador não teve alternativa e aceitou algumas reivindicações de Agra, convidando o Galo da Borborema para um confronto com o Flamengo do Rio de Janeiro.

Era o dia 13 de agosto de 1975. O Flamengo de Zico chegou a Campina Grande, disposto a golear o desconhecido Treze (para eles). O campo estava completamente lotado, com o Galo mostrando a força de sua torcida e batendo o recorde de público e renda. Não é preciso dizer, que o jogo era aguardado com uma grande expectativa. Zico em entrevista a um repórter da cidade relatou o seguinte: “O Estádio é excelente. Com grande carinho fomos recebidos aqui pelo povo de Campina Grande. Vamos ver se podemos fazer uma boa exibição, para alegrar o público que comparece ao Estádio”. Vale salientar, que nessa época o “Galinho de Quintino” era apenas uma promessa, mas seu grande futebol já começava a se destacar, inclusive como curiosidade, “dizem as más línguas”, que no momento do gol de Zico, de falta, um dos jogadores que estava na barreira do Treze se virou para o goleiro, sendo logo repreendido por um colega, quando então teria questionado: “Você acha que vou perder o gol?”.


Treze x Flamengo no Amigão em 1975

O árbitro da peleja foi José Frazão, que afirmou a Rádio Borborema sua emoção em mediar esse jogo, fazendo alusão inclusive, a uma emissora de televisão pernambucana, que teria transmitido esse jogo para Estados nordestinos. Se esse fato realmente ocorreu, poderá ter sido o primeiro jogo transmitido interestadualmente na Paraíba. Infelizmente, nossa memória esportiva é falha e fatos como estes, ficaram perdidos na areia do tempo.

Os mais antigos e as publicações que relataram esse jogo, dizem que a partida foi exuberante. O historiador do Galo, professor Mario Vinicius relatou em seu livro sobre o Treze, o fato que originou o primeiro gol da equipe de São José: “Aos sete minutos, Cantarelli, arqueiro rubro-negro, cobrou um tiro de meta para Geraldo. Este, tendo pela frente o artilheiro João Paulo, resolveu aplicar-lhe um ‘chapéu’ e sair jogando. Contudo, o centroavante alvinegro conseguiu tocar com a cabeça na bola, matá-la no peito e disparar um ‘canhão’ para a meta rubro-negra, fazendo o primeiro gol noturno do Amigão.” O Estádio vibrava em emoção, com a equipe paraibana jogando de igual para igual com aquele time, que já tinha a base da equipe que viria a ser campeã mundial de 1981 e consequentemente, uma das maiores equipes da história do futebol brasileiro.

Infelizmente, aos 12 minutos, chegou à hora da falta que já relatamos, com a cobrança magistral de Zico empatando para o Mengão. Esse foi o resultado do primeiro tempo. Joselito Lucena, um dos narradores desse jogo, faltou “esgoelar-se” em emoção, tentando passar com fidelidade para o ouvinte, o que se estava acontecendo naquele momento.

Veio o segundo tempo e infelizmente para o Treze, o Flamengo tinha Zico. Como diria Nelson Rodrigues, apenas os “Idiotas da Objetividade”, não achavam Zico o maior do mundo. Era um “cracasso”, que infelizmente, como se fosse uma punição dos Deuses do Futebol, nunca conquistou uma Copa do Mundo, fato este, entretanto, que não diminuiu jamais sua importância para o futebol. Para o Flamengo, ele era simplesmente “Deus”. Assim, aos 14 minutos, driblou um defensor galista e chutou forte, na gaveta de Renato, grande goleiro do Treze na década de 70, fazendo Fla 2x1. A partir desse momento, o Mengo não deu mais chance ao azar e consolidou sua vitória, deixando, porém, uma boa dose de confiança ao Treze, que se aproximava da conquista do Paraibano de 1975.

FICHA TÉCNICA:

13/08/1975- Treze 1x Flamengo (RJ) 2
Local:
Amigão
Cidade: Campina Grande-PB
Juiz: José Frazão
Competição: Amistoso
Público: 27 450 pessoas
Treze: Renato-74; Son, Cidão, Carioca e Heliomar; Carlinhos e Gil Marques; Chiquinho, Nilo (Fernando), João Paulo e Soares (Cicita).
Flamengo: Cantarelli, Júnior, Jaime (Rondinelli), Luiz Carlos e Rodrigues Neto (Luiz Florêncio); Liminha e Geraldo; Doval, Zico (Paulinho), Luizinho e Edson.
Gols: João Paulo e Zico (2).

Áudio - Momentos do Jogo:






Fontes:

Programa Reminiscências (Rádio Caturité) – Áudio do gol de João Paulo
Livro sobre a História do Treze – Professor Mário Vinicius
Livro sobre o 50 anos do Treze – Fotos
Programa Debate na Caturité – Rádio Caturité
Programas Esportivos da Rádio Borborema
Registro histórico do acervo pessoal de Mario Vinicius Carneiro Medeiros, com as formações de Treze e Dínamo Bucarest, da Romênia, em partida realizada no dia 6 de janeiro de 1961:


O Estádio da disputa foi o Presidente Vargas, terminando a partida empatada em 1 a 1 com o gol trezeano sendo marcado por Icário. Os atletas do Treze, agachados, da esquerda para a direita: Brito, Gonzaga, Icário, Germano, Nelson, Hélio, Lelé, Bola 7, Pedro Negrinho, Ruivo e Milton.

 
Segundo o historiador Mario Vinicius Carneiro Medeiros em sua obra sobre a história do Treze Futebol Clube, a idéia para um Estádio de Futebol para o Galo da Borborema surgiu em 1938. Para que fosse possível o sonho, Antônio Fernandes Bióca, Luiz Gomes, Tibúrcio dos Santos, José Rodolfo e Zacarias do Ó, foram ao encontro do então governador da Paraíba, Argemiro de Figueiredo.

Homem de fácil acesso, Argemiro mandou que os dirigentes trezeanos procurassem um terreno, o qual o governo do Estado compraria e consequentemente, o repassaria ao Treze. Um local na rua D. Pedro I no Bairro de São José foi escolhido e no dia 04 de abril de 1938, ele seria doado ao Treze para a construção do Estádio. Na época, o terreno tinha 25.000 metros quadrados.

Logo, o Treze aumentaria as dimensões do lugar, adquirindo na época pelo valor de 10 contos de Réis, um terreno com a frente para a Rua Teixeira de Freitas. O dinheiro foi conseguido através de uma doação do Sr. José Augusto Júnior, sendo o restante obtido através de uma campanha popular e outras doações.

A pedido de Argemiro de Figueiredo, o nome do Estádio seria “Getúlio Vargas” em homenagem ao então presidente do Brasil.

No dia 17 de março de 1940, finalmente o Estádio ficaria pronto. A cidade praticamente parou nesse dia, com festas e mais festas em homenagem a nova casa de esportes. A partida inaugural se deu entre Treze e Ypiranga, com Argemiro de Figueiredo dando o pontapé inicial do jogo.

A ficha técnica da partida foi a seguinte:

Treze 3x3 Ypiranga
Data: 17/03/1940
Local: Estádio Presidente Vargas – Campina Grande-PB
Competição: Campeonato de Campina Grande de 1939
Treze: Álvaro; Clodoaldo e Jiló; Martelo, Pedro Macaco e Delorme; Clóvis, Aderson Eloy, Holanda, Genival e Mota
Ypiranga: Sem dados
Marcadores: Ypiranga: Alcides (primeiro gol do Estádio). Os outros tentos do Ypiranga são desconhecidos. Treze: Aderson Eloy, Pedro Macaco e Genival.


O primeiro jogo interestadual foi contra o Santa Cruz, no dia 14 de abril de 1940 com o Galo vencendo por 5 a 2.

Em 1948, seriam construídas as primeiras arquibancadas do PV. O “Campo do Galo” foi o primeiro estádio de futebol da Paraíba a construir os túneis de acesso ao campo, para jogadores e árbitros, e igualmente o primeiro a instalar refletores para possibilitar a realização de jogos noturnos.


Com os refletores sendo inaugurados em 09 de julho de 1958, foi disputado um jogo contra o Sport Recife. O placar seria de 3 a 3, quando o Treze jogou com Pelado (Mascote); Nelson e Lucas; Joab, Gonzaga e Milton Negrinho; Guedes, Bé, Pedro Negrinho, Ruivo e Josias. Guedes, Ruivo e Josias fariam os tentos do Treze.


O Estádio Presidente Vargas também teve a honra de ter em seu espaço físico, a Taça Jules Rimet, o troféu que era transferido ao Campeão do Mundo de futebol. Além disso, em 1968 veria também a lenda Garrincha vestir o manto do Treze, em jogo frente a Seleção da Romênia.

Em 1972, o Estádio seria ampliado, ganhando um pouco mais de conforto.

PV nos anos 70

Com a inauguração do Estádio Amigão em 1975, o velho “PV de guerra” foi deixado de lado, praticamente só se disputando lá, jogos medianos e principalmente, servindo de local de treino para o time profissional do Treze, além de suas divisões de base.

A exceção a essa regra se deu em 19 de junho de 1986, quando todas as atenções estavam voltadas para a Copa do México. O Flamengo veio jogar com o Treze no PV, com o placar sendo de 3 a 1 para a equipe carioca.

No começo dos anos 90, uma grande tragédia. Parte do muro do Estádio caiu e matou duas menores. Em virtude deste fato, já que as diretorias que fizeram parte do Treze, deixaram a ação promovida pelos pais das menores correr a revelia, o clube foi punido com um leilão, para que os pais das jovens fossem indenizados, que fez com que o Treze perdesse grande parte do terreno do PV. Onde hoje se encontra uma pizzaria e uma mortuária de frente ao Hospital Pedro I, ali no passado era do Treze.

Entre 1998 e 1999, os velhos refletores seriam trocados por melhores equipamentos, fato ocorrido na gestão de Olavo Rodrigues.


Jogo de Reinauguração dos Refletores em 1999

A partir de 2004, o Estádio foi recebendo grandes melhorias, como uma nova fachada, moderna e mais bonita, novos vestiários, uma academia, melhoria no campo, além de um maior cuidado de conservação naquele que é o segundo maior patrimônio do clube, já que o primeiro é a torcida.

Nova fachada do PV

O Treze recentemente voltou a disputar grande jogos no PV, a exemplo da Série C, Série D, Copa do Brasil etc. A intenção de todos que torcem pelo Treze é que no futuro, o Estádio receba uma grande reforma, arquibancadas maiores, na intenção de transformá-lo numa arena esportiva.

Vídeos interessantes sobre o PV:

O Estádio entre os anos 50 e 60:


Reportagem sobre histórias do Estádio - TV Paraíba:


Imagens recentes do Estádio:


Fontes Utilizadas:

Livro dos 50 anos do Treze Futebol Clube – 1975
Livro dos 80 anos do Treze Futebol Clube – Professor Mário Vinicius Carneiro Medeiros
Comunidade do Treze no Orkut - Fotos do Estádio
www.trezegalo.xpg.com

Registro de grande importância histórica. É o ante-projeto do Estádio Presidente Vargas de propriedade do Treze Futebol Clube, encontrado na Revista "A Noite Ilustrada", edição do ano de 1938 e cedido ao "Retalhos" por Rau Ferreira:


Texto por Rau Ferreira

O Estádio “Presidente Vargas” – carinhosamente denominado PV – é o campo oficial do Treze Futebol Clube, um dos grandes campeões paraibanos e importante equipe futebolística da cidade de Campina Grande.

A concretização do sonho trezeano começou a partir da doação de um terreno localizado no bairro São José, por Argemiro de Figueiredo, no ano de 1937.

No anteprojeto de construção constavam quatro campos de esporte, pista de corridas, piscina olímpica com trampolim e arquibancada para 10.000 pessoas. E mais, estacionamento para 150 carros, hospedaria, restaurante, enfermaria e vestuários. Na entrada, havia previsão da construção de um pórtico monumental.

Pres. José Augusto Jr.
O Presidente do clube, Sr. José Augusto Júnior, estava a frente da obra, cujos trabalhos estavam orçados em 500 contos de réis.

Na primeira disputa realizada em campo, o Treze empatou com o Ypiranga pelo score de 3 a 3, com o gol de abertura de Alcides.

Para a imprensa da época, denominar-se de Presidente Vargas o campo do Treze era uma justa homenagem ao chefe da nação brasileira.

A inauguração do PV aconteceu no dia 17 de março de 1940.

Segundo nosso leitor Luciano Jordan: "O projeto é de Isaac Soares. O mesmo que projetou o Cine Capitólio e o Casino Eldorado!! Sensacional registro!!".
Os vídeos abaixo nos foram cedidos gentilmente pelo Eduardo Almeida. São imagens raras da conquista do Campeonato Paraibano de 1989 pelo Treze Futebol Clube, imagens da TV Paraíba, que na época ainda  estava engatinhando pois suas atividades se iniciaram em 1987. O comando esportivo era do competente Roberto Hugo, que faz muita falta nos meios esportivos de nossa imprensa.

As imagens correspondem aos jogos do Treze no triangular final daquele campeonato, que deu ao velho Galo da Borborema, o título daquele ano.

Jogo: Treze 5x1 Nacional de Patos


Jogo: Treze 2x0 Botafogo


Jogo: Treze 1x1 Nacional de Patos


Jogo: Treze 1x1 Botafogo (Jogo do Título)


Itan Pereira, ex-reitor da UEPB e trezeano, escreveu a seguinte crônica sobre o título de 1989 no Jornal da Paraíba:

O jogo foi numa noite de quarta-feira, 18 de outubro. O Treze jogava pelo empate em função de sua melhor campanha no decorrer da competição.

Sob a orientação sóbria de Erandir Montenegro e o puxado comando físico de Marcos Melo, o alvinegro empatou em 1x1 com o "Tricolor do Contorno", gol de Neto Surubim, e garantiu a conquista do supercampeonato. Sim, foi uma superdecisão. Sem nem se preocupar tanto com a arbitragem, que veio de fora - o juiz foi Romualdo Arppi Filho - e o público, certamente por ser uma noite, não foi grande e nem tão pequeno: 10.505 pessoas pagaram para ver o Galo cantar o título de campeão antes da meia-noite.

O time inspirava confiança até no mais cético torcedor, a começar pelo goleiro Eduardo (que não jogou a final), um gaúcho que virou Chico depois de famoso e por causa de suas peripécias sexuais no exterior. Na defesa, Lelo e Hélio Carioca sobressaiam; no meio de campo Roberto Nascimento garantia a cabeça de área e Neto Surubim completava o trio fazendo o terceiro homem, como falso ponta-esquerda. O baixinho Rocha, no ataque, usava a cabeça para ser o artilheiro da competição com 35 gols (foi também o artilheiro do Brasil), ajudado pelo ponteiro Julinho, que brilhou também no exterior. Foi sem dúvida, um grande título.

O Plantel do Galo campeão em 1989
Registros encontrados na Revista Placar da Editora Abril pela professora universitária Soahd Arruda, assídua colaboradora do RHCG. São reportagens sobre o Treze, campeão paraibano de 1983. Cliquem nas imagens abaixo para ampliar e portanto, possibilitar a leitura:





Antônio Fernandes Bióca foi o fundador de uma das maiores paixões do povo de Campina Grande, o Treze Futebol Clube. Em 07 de setembro de 1925, em sua residência na Rua Irineu Jóffily, 13 abnegados se reuniram para a fundação desse glorioso clube, que tantas alegrias trouxe a nossa cidade.

O escritor da mais famosa publicação sobre o Treze, Mário Vinicius Carneiro, esteve com Bióca em 1995, quando gravou a estrevista que estamos disponibilizando, sob o consentimento do autor, cedida com exclusividade para esse blog.

Bióca e Professor Mário em 1995


Observamos, que mesmo com a idade avançada, Bióca estava lúcido e a entrevista foi repleta de fatos reveladores sobre a história do futebol paraibano em geral. Agradecemos mais uma vez ao professor Mário, pela confiança depositada.



Em 1968, quando já tinha 43 anos de vida, o Treze se "internacionalizou". Nessa temporada, fez uma série de amistosos contra times do exterior como por exemplo, a Seleção da Romênia e o Rampla Juniors do Uruguai.

Tudo começou no dia 20 de janeiro, quando o Treze enfrentaria nada mais, nada menos, do que a Seleção da Argentina. Certo que era um time "de novos", denominação dada às equipes aspirantes das Seleções. Esses selecionados eram preparados para disputar Jogos Olímpicos, Torneios Pré-Olímpicos, Jogos Pan-Americanos e outros torneios famosos, como por exemplo, o Torneio de Toulon, o qual o Brasil conquistou em algumas ocasiões.

Esse time da Argentina fez uma série de amistosos pelo Brasil. Não era um bom time. Vale lembrar, que desde meados da década de 50, a Argentina estava passando por um período de entressafra. Nomes como Di Stefano e Cia., estavam no passado. Desta forma, explica-se a derrota dessa seleção para times fracos, como o Central de Caruaru (2x1) e para o Sergipe (3x1). Mesmo assim, era um time que merecia ser respeitado, com vários atletas que seriam campeões na Argentina nos anos seguintes.

Foto do Livro sobre a História do Treze de Mario Vinicius Carneiro Medeiros

Assim, o Estádio Presidente Vargas que em sua história recebeu nomes como Garrincha, Nilton Santos, Castilho e inclusive a Taça Jules Rimet, seria o palco desse jogo, que não é preciso relatar, foi o alvo das atenções da cidade e da imprensa paraibana.

Iniciada a partida, o Treze apresentou-se melhor do que a Argentina, mostrando um bom futebol. Porém, alguns atletas do Galo não estavam bem, talvez o nervosismo atrapalhasse. Era o que estava acontecendo com o goleiro Aurilio, por exemplo.

O fato é que as falhas individuais foram os responsáveis pela derrota do Treze. Exemplo disso foi quando o bom jogador Antonino falhou no lance do primeiro gol da Argentina, marcado por Valentini. O atacante argentino aproveitou-se de uma bola mal recuada para o goleiro e na saída desse, com categoria colocou a bola no gol.

O Galo reagiu ainda no primeiro tempo e acabou empatando a peleja, com tento do ex-vice-prefeito de Campina Grande, Zé Luiz. O gol do Treze foi bastante parecido com o da equipe argentina, onde o ponta aproveitou a saída do goleiro Casarino e tocou firme, para logo após ir comemorar com a massa alvinegra.

Foto do Livro sobre a História do Treze de Mario Vinicius Carneiro Medeiros

Parecia agora que o Treze partiria firme para a vitória. Só parecia. No segundo tempo, novamente as falhas individuais ocorreram. O algoz do Galo, o atacante Valentini, faria o seu segundo gol. Agora, foi à vez de Janca falhar, quando ao tentar desviar uma bola não conseguiu seu intento. É de salientar, que Aurilio também errou ao não sair da meta para cortar a jogada.

Ao final do tempo regulamentar, o Galo ainda conseguiria empatar o jogo, quando Janca, reabilitando-se da falha anterior, chutou forte uma falta, quando apareceu Paluca, que acabou por atrapalhar o guarda-metas argentino Feliceti, que entrara no lugar de Casarino. A bola ainda tocou no zagueiro Crossi, porém, o árbitro da partida, o senhor Evanilson Menezes, deu o gol a Janca.

Todos pensavam que o 2x2 seria o placar final do jogo. Entretanto, para a tristeza dos torcedores que compareceram ao PV, o carrasco Valentini novamente daria as caras. O goleiro Aurilio falharia mais uma vez e ao apagar das luzes, a Argentina conseguiria a vitória numa partida sensacional, que por muito tempo ficou na memória dos esportistas de Campina Grande.

Ficha Técnica:

Treze 2x3 Seleção da Argentina (De Novos) 
Data: 20/01/1968
Competição: Amistoso
Local: Estádio Presidente Vargas - Campina Grande-PB
Árbitro: Evanilson Menezes
Treze: Aurilio; Janca, Antonino, Mané e Valdeci; Leduar (Zé Pequeno) e Pedrinho; Lima, Facó (Paluca), Chicletes e Zé Luiz (Nogueira).
Argentina: Casarino (Felicetti); Marenda, Grossi, Camino e Niglio; Jara e Busti; Flores, Weber (Amarilla), Valentini e Nogara
Marcadores: Zé Luiz e Janca (Treze); Valentini (Argentina) (3)

Fontes Pesquisadas:

Diário da Borborema (Janeiro de 1968)
Diário de Pernambuco (Site da Internet)
Site do Clube Sergipe
Livro "Treze Futebol Clube: 80 anos de História" - Prof. Mario Vinicius (Fotos)
Site "Trezegalo"
Por Mario Vinicius Carneiro Medeiros *

Em 1º de maio de 2015, o Treze Futebol Clube entrava em campo pela primeira vez... Neste jogo contra o Palmeiras (equipe local), foi marcado o primeiro gol através de Plácido Véras, "Guiné". O próprio narrou ao historiador Mario Vinicius, como foi o seu gol: "Aos quinze minutos, ele mesmo (Zacarias Cotó) lançou a bola para mim, que jogava pela ponta-esquerda. Vieram dois adversários que consegui driblá-los. Toquei a bola na frente e avancei para a área, deixando mais dois jogadores para trás. O goleiro do Palmeiras, Misael, que era alfaiate, saiu para tentar segurar a bola. Só tive o trabalho de chutar no canto esquerdo. Gol do Treze!".

Na imagem abaixo, a descrição do primeiro jogo:




FICHA TÉCNICA:

Treze 1x0 Palmeiras-PB 
Data: 01/05/1926
Competição: Taça União Operária Campinense
Local: Campo dos Currais - Campina Grande-PB
Treze: Olívio, Zé Eloy e Lima, Zé Castro, Zacarias e Eurico; Rodolpho, José Casado, Reis, Cotó e Guiné
Marcador: Guiné

Na segunda foto, "Guiné"em 1994, junto ao professor Mário:



A terceira foto mostra a equipe do Treze da primeira partida:


Plácido Veras morreu em 01 de fevereiro de 1996 e o Jornal da Paraíba em suas páginas relatou:


 A  imagem a seguir é da placa que Mario Vinicius colocou em seu túmulo, em 2007;



Abaixo, podemos escutar a voz de Guiné, autor do primeiro gol do Treze, extraída de reportagem da TV Paraíba:


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* Historiador, autor do livro que conta a história do Treze Futebol Clube

 
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