Serviço de Utilidade Pública - Lei Municipal nº 5096/2011 de 24 de Novembro de 2011
Criado por Adriano Araújo e Emmanuel Sousa
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Luiz Francisco de Sales Pessoa – Monsenhor Sales - nasceu no Engenho Cipó na cidade de Areia em 02 de novembro de 1847. Eram seus pais Cândida Maria Pessoa (Candinha) e Francisco de Sales Coêlho; e irmãos Antônio, Belizia e Deodato. Seu tataravô chamava-se José de Abreu Tranca e foi o primeiro sesmeiro de Alagoa Nova, proprietário das terras do Olho D’água da Prata, que confrontava com as de Banabuyé de João da Rocha (TAVARES: 1910).

Recebeu ordens e foi ordenado Presbítero por Dom Vital em 17 de março de 1877, na Diocese de Olinda/PE. Em Pernambuco, foi coadjutor em Goiana e São Caetano, e vigário em Santo Antônio, até que veio para a Parahyba assumir a Paróquia de Pilões.

Com a morte do Vigário Calixto da Nóbrega, foi aos 38 anos designado para a Catedral de N. S. da Conceição em Campina Grande, tomando posse na condição de vigário em 25 de março de 1885. Passou a vigário colado em 1888, mediante concurso.

Nesta freguesia, desenvolveu árduo trabalho paroquial sempre com muito zelo e dedicação. Enquanto administrou a Matriz, residia em um casarão na esquina das ruas Floriano Peixoto com Maciel Pinheiro, onde hoje se encontra edificada a Associação Comercial de Campina.

A sua mansão serviu de abrigou na doença do sobrinho João Borges de Sales, filho de sua irmã Belízia. Posteriormente, foi destruída na administração do Prefeito Vergniaud Wanderlei “por não se enquadrar nos padrões arquitetônicos pretendidos para a região central” (ARAUJO: 2000), sendo motivo de grande polêmica na época.

Em 1886, resolveu reformar a matriz passando a arrecadar dinheiro junto ao comércio e aos criadores de gado local, tendo participado desta empreitada o missionário Frei Venâncio.

Em 1887 procurou o Bacharel Irineu Jóffily para reivindicar uma gleba de terras doada ao Convento da Guia, que recusou a procuração e passou a defender os modestos posseiros. A questão arrastou-se por vários anos, vencendo o Vigário Sales em 1894.

Chefe do Partido Conservador, elegeu-se Deputado da Assembléia Provincial nas eleições de 1888/89, deixando a paróquia de Campina a cargo do Cônego Francisco Alves Pequeno. A posse como parlamentar ocorreu no dia 01 de setembro, na cidade da Parahyba - atual João Pessoa -, após a leitura do relatório de costume pelo Dr. Pedro Correia.

Homem de personalidade forte e independente, “mostrava-se extremamente dedicado aos seus deveres pastorais” (SALES: 1990).

Um de seus descendentes, traçando a árvore genealógica da família assim escreve:

“O pároco de Campina Grande era um homem do seu tempo, fervoroso na fé que professava e decidido em suas atitudes. Conservador sem ser retrógrado, não acompanhava as idéias avançadas para a conjuntura, mas não possuída escravos. Sabia transigir e em política dialogava lealmente com os adversários” (SALES: 1990).

Durante algum tempo houve certa animosidade entre o Padre Sales e o Dr. Irineu, motivado por questões políticas cuja insatisfação foi muitas vezes publicada nas páginas da Gazeta do Sertão, chegando inclusive a ser ironizado por aquela folha:

"BOATOS – Nesta semana vagaram os seguintes boatos: Que o vigário Salles foi informado que ia sahir no carnaval um grupo formado de um padre de batina rasgada e de diversos devotos; e ficou tão zangado que benzeu nove cacetes e os entregou a nove cabras, occultando-os em sua casa, promptos para o primeiro sinal” (Gazeta do Sertão: 08/03/1889).

Não passava de pura pirraça de Irineu, provocando a ira do vigário que teria ameaçado “rasgar a batina para mostrar que também era homem”.

Ainda segundo aquela nota, somente Christiano Lauritzen poderia representar o papel de padre “porque só elle tem a agigantada estatura do vigário”. Portanto, para o jornal, Monsenhor Sales era um homem alto e robusto, disposto a defender suas idéias a todo custo.

Na Assembléia Provincial Sales e Jóffily viviam às turras, colocando-se o religioso contra a República. Mas o padre viu-se obrigado a aceitar o apoio da igreja à candidatura do seu opositor em atenção a recomendações superiores, chegando mesmo a declarar:

“Votei, sim, no S. Dr. Irinêo Joffily,como votei em outros candidatos que me eram inteiramente desconhecidos, não em attenção a esses cavalleiros, mas em attenção a quem me recomendou a chapa catholica. (...) Verdade é que, quando recebi a chapa catholica, senti certa reluctancia por causa de anteriores resentimentos com o Sr. Dr. Irinêo Joffily (...)” (Gazeta do Sertão: 19/12/1890).

A publicação havia sido uma resposta à provocação de Christiano Lauritzen no Jornal Estado da Parahyba, de 30 de outubro daquele ano.

Em contrapartida, Irineu Jóffily passou a apoiar as reformas da Matriz divulgando-as em seu periódico:


“Obras da Matriz – Vão de grande incremento as obras da nossa matriz, sendo todas ellas diariamente fiscalizadas pelo Rmo. Vigário Sales, sempre muito animado em concluir até Maio p. vindouro o bello e magestoso templo, que há de faser honra a esta cidade” (Gazeta do Sertão: 20/02/1891).

A reforma da Matriz foi inaugurada em 08 de dezembro de 1891.

Em 1899 o Padre Sales foi indicado para o cargo de Bispo da Diocese do Maranhão. Renunciou a distinção preferindo permanecer em Campina Grande. Recebeu, porém, a distinção de Monsenhor.

Em 02 de outubro de 1907, Francisco Sales esteve presente à solenidade de chegada do trem em Campina Grande, acompanhado pelo professor Clementino Procópio, Major Lino Gomes, pelo prefeito Christiano Lauritzen e outras autoridades.

Na Rainha da Borborema, o vigário foi responsável também pela construção do Santuário de N. S. da Guia, a famosa igrejinha da Praça do Trabalho, inaugurada em 21 de novembro de 1917.

O Padre Sales faleceu no dia 15 de agosto de 1927, aos 80 anos.

Em Campina uma rua e uma escola foram denominadas em sua homenagem.


Rau Ferreira


Fonte bibliográfica:

- ALMIDA, Elpídio de. História de Campina Grande. Edic̜ões da Livraria Pedrosa: 1962.
- JOFFILY, Irineu. Notas sobre a Parahyba: fac-símile da primeira edição publicada no Rio de Janeiro em 1892, com prefácio de Capistrano de Abreu. Thesaurus Editora: 1977.
- JOFFILY, José. Entre a Monarquia e a República. Livraria Kosmos Editora: 1981.
- LAURITZEN, Christiano. Relatório apresentado ao Presidente da Província em 07 de outubro. Paço Municipal. Campina Grande/PB: 1890.
- SERTÃO, Gazeta do. Edições de 13/02, 20/02, 06/03, 27/03, 03/04, 01/05. Campina Grande/PB: 1891.
- SEVERIANO, Francisco. A Diocese da Parahyba. Typ. da "Imprensa": 1906.
- TAVARES, João de Lyra. Apontamentos para a história territorial da Parahyba. Imp. Official: 1910.
ARAÚJO, Martha Lúcia Ribeiro. GURJÃO, Eliete de Queiroz. ALMEIDA, Josefa Gomes de. SILVA, Keila Queiroz. AMORIM, Léa. OLIVEIRA, Maria José Silva. SÁ, Marisa Braga de. CAVALCANTI, Silêde Leila Oliveira. Imagens Multifacetadas da História de Campina Grande. Ed. PMCG. Campina Grande/PB: 2000.

2 comentários

  1. Emerson Silva on 14 de novembro de 2013 16:14

    Monsenhor Sales era padrinho da minha avó.

    Muito bonito saber da história de Campina Grande, gostaria de saber onde encontro mais, pois a meus pais nasceram em Campina Grande mais saíram ainda crianças, um com 12 e outro com 4 anos de idade.
    Ficarei feliz em receber indicações.

     
  2. avon- setor 082 on 2 de junho de 2017 00:44

    Quero daber mais noticias sobre Padre Joao Borges.
    Sou sobrinha

     


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